sábado, 28 de julho de 2012

Como se lucra na especulação: probabilidade e risco x ganho

Bom-dia!


O assunto do post é: "Como se lucar na especulação?"

O lucro na especulação com análise técnica provém da conjunção de dois fatores: 1) a probabilidade maior de lucro com o uso das técnicas de análise; e 2) a relação risco x ganho.

A probabilidade maior de lucro diz respeito à essência do uso da análise técnica, que não é a de garantir o acerto da operação e o lucro alemejado e tampouco apostar em sorte, mas em averiguar, dado os padrões gráficos e sua presença no histórico de um ativo bem como as informações adquiridas com indicadores, se há uma probabilidade maior do que 50% daquele ativo vir a ter seu valor aumentado nos próximos momentos.
Infelizmente, a probabilidade de uma ação vir a dar certo usando-se análise técnica não é de 95%, 90% ou mesmo 80%. De acordo com pessoas como Peter Lynch,

Neste negócio, se você é bom, vai estar certo seis de cada dez vezes. Você nunca vai estar certo nove de cada dez.

ou seja, a probabilidade gira em torno de 60%, um valor que poderia ser a explicativa sobre porque muitos estudos feitos para validar a eficácia da análise técnica em prever o mercado acionário acabam dando resultados negativos.

O valor significativamente reduzido e próximo da probabilidade garantida pelo set-up "cara ou coroa" poderia ser motivo de desanimação para aqueles que aspiram lucros milagrosos no mercado de ações, mas na verdade ela manifesta o seu valor em pelo menos duas facetas:
  1. Mesmo sendo relativamente pouco, ainda assim a análise técnica [bem feita] aumenta a probabilidade de ganho.
  2. Tal estimativa serve para fazer o trader verificar se suas operações estão sendo adequadamente feitas, i.e., se ele olhar para o histórico de suas últimas X operações (sendo X um número significativo que elimine em grande parte o valor estatístico de 60%, e.g. 50, 100 operações) e perceber que obteve lucro em menos de 60+-3%, ele deve se sentir convidado a refletir sobre se está operando corretamente e eventualmente parar suas especuladas por um tempo com o fim de adquirir maior conhecimento para melhorar o seu histórico de operações.
Embora o aumento da probabilidade de lucro garantido pela análise técnica seja a espinha dorsal e maior justificativa do seu uso, muitos poderiam argumentar que não vale à pena correr os maiores riscos do mercado acionário bem como gastar tempo em frente à gráficos e manuais se for para ganhar "tão pouco". Neste caso, alguns diriam, o mercado de ações, ao menos a nível especulativo, ofereceria poucas vantagens sobre outros meios de investimento. Eu diria, todavia, que tal visão pessimista pode ser bastante tentadora face à pequenos investimentos e ao valor porcental de 60%, mas não se aplica no momento em que prestamos atenção nos grandes investimentos.

Exemplificando: Imaginemos que um indivíduo opera de tal maneira que a cada operação ele investe $1000,00 e a variação lucro/prejuízo ronda em aprox. 10%, ou seja, o lucro médio por operação de sucesso é de $100,00 enquanto que o prejuízo médio em caso de insucesso é de igualmente $100,00. Se a cada dez operações seis ele acerta e quatro ele erra, então ao final de dez operações ele ganhou $600,00 e perdeu $400,00, gerando um lucro resultante de 'humildes' $200,00. Neste caso, olhando o tempo gasto com aprendizado e na frente dos gráficos, parece que a especulação na bolsa não compensa.
Mas imaginemos que, ao invés disso, ele investe $10.000,00 por operação ainda com a mesma margem de lucro/prejuízo. Neste caso, tendo sucesso em seis operações, ele ganhou $6.000,00 e perdeu $4.000,00, gerando um montante bem mais considerável de $2.000,00. Se isso tudo aconteceu num único mês, usando-se como base 0,55% de lucro da poupança, então se ele tivesse optado pelo 'caminho fácil' e aplicado os seus $100.000,00 na mesma ao final do período ele teria obtido apenas $550,00 de lucro. Creio que para qualquer pessoa sensata, temos aí uma diferença considerável.

O 'grande negócio', todavia, é que 'não só de aumento de probabilidade vive a especulação'. Todos os traders mais ávidos por lucros sólidos, além de contar com o acréscimento de probabilidade dada pela análise técnica, também consideram em suas operações a relação risco x ganho. Esta relação, baseada fundamentalmente no conceito de stop, estipula o quanto há de ser ganho ou perdido numa dada operação, ou seja, ela responde às perguntas: "se essa operação de certo, a que preço do ativo eu vou sair dela obtendo lucro? E se der errado, quanto eu vou ter perdido?". Para obter lucros significativos, é tradicionalmente recomendado uma relação de pelos menos 1:3 (1 de prejuízo para 3 de lucro).

Longe de ser perda de tempo, o exemplo dado anteriormente mostra o quanto esta relação é capaz de maximizar uma 'vitória operacional': digamos que o trader utilize-se da relação risco x ganho de 1:3 para em suas operações, de maneira que se ele tiver sucesso numa das suas operações de $1000,00, ele há de ganhar $300,00 com a mesma, mas se obter insucesso ele perderá $100,00. Neste caso, tendo ele obtido sucesso em seis das suas dez operações, ele conseguiu um lucro bruto de 6 x 300,00 = $1.800,00 ao mesmo tempo em que perdeu 4 x 100,00 = $400,00 nas operações de insucesso, gerando uma receita líquida de 1.800 - 400 = $1.400,00. Se ele tivesse investido $10.000,00 por operação, então ele teria ganho 6 x 3.000 = $18.000,00 e perdido 4 x 1.000 = $4.000, gerando um lucro líquido de $14.000,00. Comparado com os $550,00 que teria obtido na poupança, temos aqui uma situação irrecusável!

É claro que os exemplos anteriores utilizaram números facilitadores e idealistas - normalmente não se ganha 30% de lucro numa operação! Mas a ideia permanece válida ainda que usemos dos 3-5% básicos (com 3%, para o exemplo final, teríamos um lucro de 1.800 - 400 = $1.400,00, pouco menos de três vezes o garantido pela poupança). Sobre tudo isso, o que se aprende é que:
  1. O trader mais aguçado, que visa não apenas lucrar de qualquer jeito mas realmente obter o maior lucro possível em suas especulações, procurará utilizar-se de quantas mais forem as maneiras de se obter lucro possíveis, dentre as quais as duas básicas são a probabilidade incrementeada pelo uso da análise técnica e a relação risco x ganho da operação.
  2. Quanto maior a relação risco x ganho (1:3, 1:5, 1:7,...) almejada, mais improvável será de se encontrar situações nos gráficos que fechem com este valor.

Ainda outras coisas poderiam ser ditas, mas falta tempo para escrever. Tudo sobre esse assunto (em especial a relação de risco x ganho) pode ser complementada por esta video-aula de Bo Williams, onde ele usa um outro exemplo (o da moeda) para mostrar o quanto a relação risco x ganho é importante para o sucesso no mercado de ações.


Bons trades,

Martin Bittencourt

sábado, 30 de junho de 2012

AT: PDGR3 24/06/2012 (atualizando: 30/06/2012)

Bom-dia!


Este post diz respeito à movimentação de compra de ativos da PDGR3 sugerida no dia 24/06/2012, tratando-se de um post de atualização.


Como havia dito naquela postagem, havia a possibilidade de tomar-se uma atitude mais conservadora na compra da PDGR3 esperando pelo rompimento do último topo, havendo em vista uma possibilidade da PDGR3 entrar numa zona de congestionamento e porventura voltar a cair:

É importante salientar que ainda não houve uma comprovação plena da subida do ativo porque ainda não houve um topo maior que o topo anterior, o que significa que ainda há uma possibilidade considerável deste crescimento recente da PDGR3 acabar dando numa zona de congestionamento a partir da qual ela poderá tanto continuar subindo quanto voltar a descer. (...)

Essa possibilidade me parecia especial tendo em vista que o último topo não era um que não havia rompido o topo anterior (que, diga-se de passagem, está com um preço altíssimo tendo em vista as fortes quedas que a PDGR3 sofreu há algumas semanas atrás), de maneira que a operação, apesar de ter "vários indicadores de subida", ainda tinha um risco considerável.

Hoje pode-se se dizer que as suspeitas se confirmaram pelo fato da PDGR3 ter claramente entrado dentro de um movimento de congestionamento (um triângulo), mostrando a importância de sempre ter em mente o efeito dos topos e fundos num ativo mesmo quando os indicadores estão favoráveis.


Com a formação do triângulo podemos concluir que:

  • O grande movimento de queda do preço do ativo sentido nos meses recentes deu uma freada, o que pode ser sinal de um retorno maior do preço;
  • O lado que romper determina a provável tendência do gráfico (nota: não se esquecer dos falsos rompimentos!)


Uma das grandes dicas de análise técnica é NUNCA PRENDER-SE A APENAS UMA PERIODICIDADE DO GRÁFICO. Em outras palavras, nunca olhar apenas para o gráfico diário, ou de 60 min, ou semanal, mas dar uma olhada ao menos no gráfico de periodicidade imediatamente menor e imediatamente à periodicidade que lhe interessa tendo em vista o movimento que desejas fazer.



Assim sendo, observemos o gráfico semanal, donde podemos tirar as seguintes conclusões:


  • Historicamente, a PDGR3 está na saída da clássica figura de reversão de tendência Ombro-Cabeça-Ombro (OCO), estando exatamente passando pelo fim da reta de descida C.
    • Com isso, conclui-se que há uma probabilidade considerável de observarmos uma reversão da tendência de queda formada desde o topo da cabeça do OCO.
  • Semanalmente também houve um rompimento da linha de resistência de queda (em azul), o que é indicativo de compra;
  • A média móvel ponderada de 9 períodos ainda não cruzou para cima a média móvel exponencial de médio prazo (17 períodos), e apesar de sua força de queda estar se atenuando, não há grandes movimentos indicativos de subida;
  • Nenhum dos indicadores mostra algum sinal significativo de subida, apenas tendo-se que 
    • o IFR de 14 períodos mostra que o ativo está sobrevendido, o que constitui uma das bases de um início de subida;
    • tanto o MACD de longo prazo como de curto prazo estão com suas curvas abaixo de 0, o que  em caso de cruzamento para cima indica maior força de uma eventual reversão ascendente; 

Em outras palavras, há pontos positivos que sugerem o retorno do aumento do preço do ativo, mas no mais longo prazo ainda há um tanto considerável de indefinição para aqueles que planejam um investimento ou  especulação de mais longo prazo. Pensando no hoje e no amanhã, pouco ou ainda quase nada pode ser dito enquanto não houver o rompimento do triângulo detectado no gráfico diário.


Bons trades,

Martin Bittencourt

domingo, 24 de junho de 2012

AT: PDGR3 24/06/2012

Bom-dia!

Hoje colocarei em pauta o gráfico da PDGR3.



Como pode-se ver olhando para o gráfico com maior tempo e mais claramente no com menor tempo, a PDGR3 está há um bom tempo em queda, estando longe de ser um ativo bom para investimento a longo prazo até que haja um sinal bem consistente de que ela vai reverter a longa queda em um período de longo crescimento.

Todavia, a nível de especulação, a PDGR3 ainda pode oferecer grandes oportunidades de lucro, pois estando o valor de seus papéis a um nível muito baixo, pouca variação no seu valor resulta em grandes lucros (mas também em grandes perdas - motivo para não esquecer do STOP!).

Atualmente, a PDGR3 tornou-se especialmente interessante porque revelou vários sinais de alta de curto prazo (i.e. alguns dias de subida), pois:


  • Rompeu uma reta de resistência vertiginosa logo após fazer um fundo inferior ao último fundo realizado - a importância de ter rompido esta reta de resistência após um fundo inferior é de sinalizar que o movimento de rompimento provavelmente não será apenas uma correção no valor da inclinação da reta de resistência, mas um rompimento legítimo rumo a uma subida;
  • MACD de curto prazo rompeu para cima já faz um bom tempo e permaneceu, indicando uma estabilidade na subida;
  • MACD de longo prazo acabou de romper para cima, e isso saindo de um momento em que conseguiu uma grande defasagem em função das quedas vertiginosas pelas quais a PDGR3 passou nas últimas semanas;
  • Média ponderada de curto prazo (9 dias) rompeu para cima a média exponencial de médio prazo (17 dias);
  • IFR está subindo incessantemente faz um bom tempo e recém chegou perto dos 50, o que indica ainda um grande potencial de subida até à zona de sobrecompra.


É importante salientar que ainda não houve uma comprovação plena da subida do ativo porque ainda não houve um topo maior que o topo anterior, o que significa que ainda há uma possibilidade considerável deste crescimento recente da PDGR3 acabar dando numa zona de congestionamento a partir da qual ela poderá tanto continuar subindo quanto voltar a descer. Todavia, há vários indicadores de subida do ativo, motivo porque optar por ele já é uma boa ideia.


No que diz respeito à projeção de subida, colocando um Fibo-Leitão no gráfico observamos que há uma forte zona de resistência por volta dos R$5,00 com a possibilidade do ativo chegar a R$6,00 pensando num rompimento do topo anterior em R$4,07.

Fica a dica.

Bons trades!

Martin Bittencourt

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Em breve: início do blog

Bom-dia!


Decidi postergar temporariamente o início real das postagens deste blog devido à minha decisão de adiantar a compra de um monitor 23" que pretendia anteriormente adquirir somente em julho. Atualmente uso do meu notebook 16" para fazer meus serviços, e sem dúvida ficará muito melhor de se visualizar os gráficos tirando PrintScreens de um monitor Full HD do que da tela atual.

Assim, adiarei um pouco mais o início das funcionalidades plenas deste blog.

Fiquem no aguardo!


Bons trades,

Martin Bittencourt

terça-feira, 1 de maio de 2012

Primeira postagem!

Primeira postagem!

Boa-noite a todos!

Esta é a minha primeira postagem neste que espero ser um ótimo blog para especuladores de ações da BM&FBovespa!
Espero que todos se agradem do conteúdo aqui postado, que possa ser útil para o seu próprio aprendizado sobre o mercado especulativo de ações e que tenham bons lucros com as informações aqui postadas!

Em poucos dias, começarei a escrever os relatos dos meus trades e a postar informações úteis sobre análise técnica.


Um abração a todos,

Martin Bittencourt